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CONGRESSO OCAL

A 100 anos de Inibição, sintoma e angústia. Formação e clínica contemporânea.

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Freud, em Inibição, Sintoma e Angústia, realizou um gesto teórico que ainda nos convoca: revisou sua própria concepção de angústia e a redefiniu como um sinal do eu frente ao perigo. Não desarmou seu edifício conceitual; reordenou-o. Esse movimento, conservar um núcleo e deslocá-lo para novas coordenadas, é talvez uma das heranças mais fecundas que recebemos.

 

Na América Latina, onde persistem feridas históricas e emerge uma criatividade social inesgotável, a teoria se abre a novas ressonâncias. As condições cambiantes do ambiente cotidiano interpelam nossas noções de trauma, segurança e desamparo, e exigem marcos que permitam pensar o singular em diálogo com o coletivo.

 

O eixo do próximo Congresso da FEPAL, “Angústia, Vazio e Ato”, ilumina esses deslocamentos. Os vazios de época podem ser lidos como inibições ampliadas por um mal-estar social que corrói o pertencimento, enquanto os atos: criativos, destrutivos ou mistos, irrompem como novas modalidades sintomáticas em um tempo onde o subjetivo e o comunitário se entrelaçam. Interrogar essas formas contemporâneas do sofrimento requer uma clínica capaz de escutar tanto a dimensão psíquica quanto a política da angústia, evitando reproduzir categorias herdadas sem revisão.

 

A partir da OCAL, propomos voltar a Freud no sentido mais vivo do termo: mover conceitos, não repeti-los. Trata-se de abandonar o que resulte anacrônico ou eurocêntrico, sustentar o núcleo ético da psicanálise e integrar os saberes locais para pensar os atos e os vazios de nosso tempo e nossa região. Essa tarefa é coletiva e está em andamento; avançará na medida em que tenhamos a coragem de repensar, reinventar e compartilhar essas releituras em chave latino-americana.
 

EIXOS TEMÁTICOS

 

  • Inibição e sintomas: novas configurações clínicas.

  • A formação do analista em tempos de mudança.

  • O vazio e sua expressão no mundo atual: migrações, tecnologia, violência.

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